sexta-feira, 29 de julho de 2016

Alheamentos.



Alheio à vida em séries de tv. A violência que não choca, sangue, morte, facadas, tiros,  o bizarro as vezes monstruoso que comove, aceitável, interessante, o irreal provocando emoções, inaceitável no mundo real para muito menos. Abominamos violência na vida real e a consumimos de maneira assustadora, e gostamos, nos deliciamos com ela,  como se a dor não fosse real, como se os gritos, o sangue e o terror nos rostos, fossem sempre pura interpretação e entretenimento, como se não fizessem parte do nosso cotidiano real. Talvez explique nossa frieza nesses tempos. Um capítulo. Ansiedade, outro. Meia noite, fim de mais um capítulo. Aterrissagem à vida real novamente. Dormir, sem sono, adrenalina das emoções,  porém necessário, o físico pede. Há trabalho no dia seguinte. Escova de dente, toneira, água, fria, espelho, vaso sanitário. Luminária muda no criado também mudo, kombis miniaturas, óculos, o cara eternamente fumando à minha frente, mas nunca haverá câncer nele, em seu rosto sério, porém com um esboço de sorriso, o circulador de ar quadrado, antigo, antes branco, agora amarelado permanentemente pelos anos, prostrado, esquecido desde o verão, não circula nada nesse clima,  meio que fazendo parte da decoração. Livro. Outra história antes do sono. Sombras em mínimos movimentos no teto na penumbra ... zzz





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