terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Escolhas.


Grafite bairro Cambui - Campinas - SP - Foto Marcos Campos.


E ele tinha uma vida tranquila. Tinha lá sua namorada de anos, moravam juntos,  vida estável, tinham lá suas diferenças, mas qual casal não as tem, não é verdade? Mas essas diferenças precisam de manutenção, boas e as vezes infinitas conversas, porém necessárias à boa saúde da relação, e, ao que me parece eles pararam de ter essas conversas em algum momento, e ai a pequena diferença começou a incomodar, pouco, mas essa diferença gerava uma infelicidade no outro, e o outro com essa infelicidade, ficava ácido no tratamento, e isso foi piorando com o tempo, a diferença foi crescendo cada vez mais a ponto de não mais fazerem as mesmas coisas juntos, moravam juntos mas pareciam que não eram mais felizes, conviviam, o sexo ficou raro e cada um individualmente cuidava da sua vida, num ambiente em comum, mas deixou de ser uma relação de casal. E assim viveram um bom tempo, entre discuções, brigas, tempo sem se falar por conta das brigas, mas juntos, por caminhos paralelos, não juntos, não o mesmo caminho.
E eis que apareceu alguém para uma das partes, apareceu, apareceu e preencheu de sentimento um coração vazio, uma vida monótona, um horizonte enevoado.
Ele estava apaixonado, perdidamente. 
Fazendo a escolha errada e julgando ser algo passageiro, não comunicou a parceira de anos, foi levando uma história paralela, levou por um bom tempo, passando horas e horas de conversas ao telefone, aproveitando qualquer momento que pudesse, para ver sua amante, reencontrou a felicidade e com a anestesia da paixão, endureceu seu coração para a parceira de anos, mentindo e enganando, desconsiderando a importância do tempo vivido, ou mesmo o respeito à pessoa, que qualquer um merece.
E um dia, por um vascilo, ela descobriu toda a mentira. Esbravejou, urrou, mandou-o embora. Chorou o fim da relação, mas principalmente pelo tempo que foi enganada. Apesar de tudo estar muito ruim, um pouco de consideração era esperado, e chorou por um bom tempo. E seguiu sozinha sua história.
Ele por outro lado, resolveu seguir adiante a sua, com sua amante que não podia ser revelada a ninguém, por problemas que existiam na cabeça dela, eles teriam que seguir a vida escondida de amantes que eram, mas não eram mais, uma vez que nenhum dos dois era mais casado. Ela, a ex-amante, também não mostrava compaixão com a mulher abandonada, compactuava nas mentiras e parecia que estava até orgulhosa do feito, de tê-los separado.
O tempo porém a revelou uma mulher dominadora, possessiva e ciumenta. O novo relacionamento tinha se revelado devastador para as amizades dele, quase todos os amigos o deixaram de lado e tomaram partido da ex-mulher. Juntando-se a fase de inicio de namoro, onde naturalmente se deixa de lado por um tempo os amigos em detrimento da pessoa que se está, a mulher dominadora, que não fazia questão nenhuma em conhecer os amigos antigos e a rejeição por parte dos amigos, ele ficou praticamente sozinho com seu novo amor, restando apenas uns poucos amigos que insistiram em tentar manter a amizade em ambos os lados, e quase foram rejeitados pelos dois, mas não pense que ela os tolera muito, não, não tolera, no inicio parecia que sim, mas envenenada por sua possessão e ciumes, os acha companhias ruins para seu amado, uma vez que ela não pode ir a todos os lugares com eles, enlouquece na desconfiança e ciumes. Os poucos amigos, estão também cansados, sem querer se veem no meio de uma rede de mentiras e desconfianças, uma vez que ela desconfia de tudo e ele não pode nada, ele mente, sim mente novamente e insiste em viver sua vida infeliz.
Na verdade, o que era para ser uma história feliz, é uma história de infelicidade de duas pessoas que se encontraram e não confiam uma na outra, fruto de um inicio onde a paixão, acompanhada da mentira e da traição que foram os combustíveis, que claro, passou, mas o que ficou, me parece, não foi o amor, mas uma possessão infinita e o medo de ser enganado, justamente tudo o que fizeram com a outra pessoa, uma dose amarga do próprio veneno, presos num relacionamento doente e sem amigos por perto, se iludindo que isso seja amor, até quando?




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